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O restaurante em que comi o delicioso chichárro grelhado não tinha mais de 30 m² e o que mais me chamou à atenção foi o facto de num espaço tão limitado, trabalharem pelo menos 6 homens adultos, certamente pais de família - e isto sem contar com o pessoal da cozinha. Não conheço nenhum Restaurante fora de Portugal que mantenha tanto pessoal como nos restaurantes portugueses. Em restaurantes desta categoria, trabalham em geral estudantes ou pessoas que exerçam este trabalho só em sistema de part-time; por exemplo jovens donas-de-casa, que para melhorarem o orçamento doméstico, fazem aqui umas horas extraordinárias. Na Alemanha, por exemplo, nenhum proprietário de restaurante pode dar-se ao luxo em manter tanto pessoal como é hábito em Portugal. Só em países como Portugal e terras do terceiro mundo, onde a injustiça social é grave, é possivel esta exploração. É triste ver homens no auge da sua idade, cheios de força física e/ou intelectual, serem explorados desta forma tão indigna - isto é o que aqui na Alemanha se chama "Resourcen vergeuden" - em português: "Desperdício de recursos". Deve ser muito frustante para estas pessoas, estarem sujeitas a estes ordenados de miséria e não terem outra oportunidade a não ser, aceitarem este humilhante destino: andar a servir "bandejinhas de arroz ou de batata" de mesa em mesa para ganhar um ordenado que para viver não chega e para morrer é demais.
"... os portugueses comuns (os que têm trabalho) ganham cerca de metade (55%) do que se ganha na zona euro, mas os nossos gestores recebem, em média:
(dados de Manuel António Pina, Jornal de Notícias, 24/10/09)
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"... os portugueses comuns (os que têm trabalho) ganham cerca de metade (55%) do que se ganha na zona euro, mas os nossos gestores recebem, em média:
- mais 32% do que os americanos;
- mais 22,5% do que os franceses;
- mais 55 % do que os finlandeses;
- mais 56,5% do que os suecos"
(dados de Manuel António Pina, Jornal de Notícias, 24/10/09)
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