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As notícias são apresentadas numa entoação agressiva, o fundo do écran pulsa de informações num frenesim arrepiante, aquilo que o locutor de momento informa, é repetido em forma de texto em baixo, ilustrado com fotos ou filmes no fundo do écran e como se este dilúvio de informações não chegasse, mais abaixo corre um "comboio" de palavras a informar sobre outros acontecimentos que não têm nada a ver com o assunto no momento pelo locutor apresentado. As notícias televisivas em Portugal são superlotadas de informações supérfluas que mais parecem árvores de Natal cheias de bugiganga da loja do chinês. "Qualidade não significa Quantidade", menos é melhor. Será que este espéctaculo é feito de propósito para transtornar o público? Ou a intenção é treiná-los para que neles seja despertado o talento multitasking? As notícias em Portugal são uma imitação rasca das notícias dos Estados Unidos da América. Parece que esquécemo-nos que o nosso país é europeu e não "amarikano". A minha amiga que sofre de epilepsia, e que devido à sua doença, não pode ir a discotecas equipadas com luzes psicadélicas, iria certamente ter um ataque se tentasse assistir às notícias portuguesas. A política portuguesa actual, combina perfeitamente este espectáculo rasca. Tanto estímulo ao mesmo tempo impede a concentração ao essencial. Até nas ruas podemos observar e sentir esta "amarikanização". As sirenes das ambulâncias ou carros da polícia soam como em filmes de Holywood... que saudades do "tiróri"!
A minha intenção não é ofender alguém, mas é a necessidade que tenho em "chamar as coisas pelo nome". Penso que se vivesse em Portugal, observava tudo com outros olhos e nem me apercebia de muita coisa. Para os que tendam ficar ofendidos com a crítica a Portugal, quero que saibam, que as razões pela qual a faço, não é maldade, mas sim, porque acredito que só é possível mudar, quando as circunstâncias em questão sejam debatidas. Já vivo há mais de duas décadas fora de Portugal e muitas das vezes que critico algo no meu país, ouço frequentemente "algumas almas ofendidas" aconselharem-me: "se não gostas, vai-te embora". Se assim tão fácil fosse, já tinha virado as costas ao meu país e mudado de nacionalidade. No dia em que eu conseguir fazê-lo, significa que Portugal é-me indiferente e que as coisas que critíco, passam a ser encaradas como uma expressão folclórica, assim como os turistas o fazem. Nos primeiros postes destes blog utilizei por vezes termos um pouco agressivos e só devido a alguns comentários apercebi-me do peso dessas palavras. Como acabei de dizer, eu sou amiga da crítica e isto porque estou convicta que só ela é capaz de convencer-me que estou no mau caminho, por isso peço-vos: se alguém sentir-se magoado com as minhas palavras, dêem sinal para que tente melhorar-me!
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